Hard e soft skills: entenda o que são e como desenvolvê-las

Por 13 de março de 2018Zona de impacto

Chamadas também de habilidades técnicas e comportamentais, ambas são importantes no trabalho, mas as soft skills começam a ganhar mais peso dentro das empresas

Se você está atento ao que as empresas procuram em um candidato acima da média e ao que profissionais bem-sucedidos falam ao explicar seus pontos fortes para se destacar na carreira, provavelmente já se deparou com os termos hard e soft skills. Mas você sabe o que são e qual a diferença entre eles?

Em tradução literal seriam “habilidades pesadas” e “habilidades suaves”, mas o que os termos em inglês expressam é o que chamamos de competências técnicas, de um lado, e as comportamentais, de outro. As primeiras são aquelas que podem ser medidas de forma mais objetiva: se alguém domina um programa de computador ou tem fluência em um idioma, por exemplo.

Enquanto as habilidades comportamentais demonstram componentes ligados ao temperamento humano, como a criatividade e a empatia.

Para a professora de soft skills e coordenadora do Centro de Carreiras da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), Clarisse Andrade, as habilidades comportamentais têm origem em traços de personalidade de cada indivíduo – que podem ser ou não estimulados, de acordo com o ambiente no qual a pessoa vive. Isso quer dizer que alguém pode ter tendência a manifestar mais uma habilidade do que outra. Porém, como explica Clarisse, elas podem ser desenvolvidas ao longo da vida.

De acordo com o sócio e diretor de Arquitetura da Aprendizagem da Tamboro, André Couto, a principal diferença entre hard e soft skills está em como elas são desenvolvidas. “As primeiras estão relacionadas com competências cognitivas, como pensar e raciocinar, e competências técnicas, estas ligadas a um aprendizado específico, como o domínio de um determinado material ou tecnologia”, explica.

Segundo André, as soft skills são competências ligadas ao desenvolvimento pessoal e são desenvolvidas a partir da relação entre as pessoas. “Ou seja, as hard skills são resultado de um desenvolvimento intelectual, e as soft skills resultam de um desenvolvimento inter-relacional”, diz.

Foco nas habilidades humanas

O estudo “Soft skills for business success” (soft skills para sucesso nos negócios), de 2017, realizado na Austrália pela Universidade Corporativa Deloitte, mostra que a relevância das habilidades essencialmente humanas tende a crescer ainda mais nos próximos anos. O documento aponta que, até 2030, dois terços dos empregos no país serão em ocupações com intenso uso de habilidades comportamentais – empregos esses que, nesse período, devem crescer 2,5 vezes mais do que ocupações com menor uso de soft skills.

No primeiro grupo foram consideradas ocupações como gerentes, administradores, engenheiros e representantes de vendas; em oposição ao segundo grupo, formado por trabalhadores de escritório, de suporte de vendas, operadores de máquinas e motoristas.

“As soft skills são importantes porque um funcionário pode saber mexer em um banco de dados, mas se ele não sabe analisar os dados nem se comunicar com sua equipe, não adianta nada. Ele terá controle de só uma fase do processo, e essa primeira etapa pode ser feita agora por um computador”, explica Clarisse. Ela lembra que hoje, com os recentes avanços tecnológicos, a automação de algumas funções é cada vez maior e, às vezes, inevitável.

Habilidades que podem (e devem) ser desenvolvidas

As habilidades técnicas estão mais ligadas ao Quociente de inteligência (QI) e as comportamentais ao Quociente emocional (Inteligência Emocional). Por isso, para desenvolver as habilidades humanas, o primeiro passo é a autorreflexão. “A pessoa tem que parar e pensar: ‘o que me diferencia de uma máquina?’ E quando achar essas características, investir nesses pontos fortes”, explica a professora da FGV, que leciona aulas de teatro para o desenvolvimento de soft skills e vê a arte como um dos meios de conquistá-las.

“Não acredito que as possibilidades estão na academia tradicional, a gente tem que buscar outras ferramentas para desenvolver essas habilidades, como cursos livres e coaching”, completa Clarisse, que lista abaixo as habilidades comportamentais que considera imprescindíveis para qualquer profissional:

soft skills que todo profissional deve desenvolver:

Comunicação: inclui tanto a comunicação oral quanto a corporal; é a habilidade de se comunicar de forma assertiva, levando em consideração o ouvinte e o contexto da fala.

Capacidade de resolver problemas: uma das soft skills mais demandadas no mercado de trabalho contemporâneo: saber analisar um cenário para tomar uma decisão de forma assertiva.

Empatia: a capacidade de perceber o outro, se colocar no lugar de outra pessoa.

Liderança: muito além de ser chefe, é a habilidade de inspirar e motivar pessoas.

Habilidade de relacionamento: capacidade de entender as diferenças entre as pessoas que está interligada à liderança.

Capacidade de desenvolver pessoas:  a habilidade do indivíduo de identificar a melhor competência de cada ser humano que pode ser aplicada em prol de uma atividade em comum.

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