O que a nova geração de profissionais procura em um emprego

E o que as empresas estão fazendo para reter os talentos millennials, os jovens que estão dominando o mercado

Por 17 de outubro de 2017Mercado

 

Entre os seus 140 caracteres no Twitter e suas selfies no Instagram, os millennials, os primeiros nativos da internet, têm muito a dizer e, ainda, a fazer. Nascidos entre 1983 e 2000, esses jovens estão se tornando a principal força de trabalho no mercado e trazem consigo suas próprias demandas – algumas bem diferentes das gerações anteriores de profissionais.

Segundo a professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e especialista em geração Y, Elisabete Adami, a maioria dos millennials espera encontrar um emprego no qual consigam equilibrar vida pessoal e trabalho, uma questão bastante importante para eles. “É fundamental não generalizar e evitar estereótipos e preconceitos sobre as diferentes gerações. Há uma parcela dos jovens dessa geração, por exemplo, cuja prioridade ainda é a segurança no emprego, assim como qualquer outro indivíduo de outras gerações, como os baby-boomers (nascidos entre 1943 e 1960) ou os da geração X (que nasceram entre 1960 e 1980)”, explica.

Um estudo da Universidade de Bentley, de 2014, ajudou a derrubar alguns dos mitos envolvendo essa geração de profissionais que está entrando no mercado de trabalho.  Ele monstra que os millennials são, na verdade, muito mais leais aos seus empregos do que se costuma ouvir e ler por aí. Oito em cada dez jovens consultados indicaram acreditar que vão passar apenas por quatro ou menos empresas ao longo de suas carreias. Além disso, 16% disseram que querem ficar em seu emprego atual para o resto da vida profissional.

OS MILLENNIALS QUEREM TRABALHAR EM EMPRESAS QUE…

…Sejam respeitadas: os jovens da geração Y buscam empresas que tenham uma boa imagem diante da sociedade.

…Tenham responsabilidade social: eles querem trabalhar em locais que apresentem os mesmos valores e ideais de vida.

…Ofereçam flexibilidade de horário e de  local de trabalho: poder trabalhar em casa ou fazer seus próprios horários é uma demanda cada vez mais comum entre jovens profissionais.

…Cultivem um ambiente de inovação e tolerância com erros: empresas atentas para ideias inovadoras e que aceitem os erros como um caminho para o desenvolvimento também ganham pontos.

…Fomentem o desenvolvimento e a aprendizagem contínua: para os millennials, é fundamental ter líderes que os incentivem a aprender e a crescer profissionalmente, além de poder encontrar oportunidades dentro da empresa para que isso aconteça.

O desafio nas empresas

Segundo Elisabete, os jovens da geração Y esperam que aquilo que os fazem felizes em suas vidas, de modo geral, possa ser estendido para o ambiente de trabalho. Parece simples, mas é um grande desafio para as empresas que querem reter os novos talentos.

Para a especialista, a maior parte das micro, pequenas e médias empresas do Brasil não está preparada para a nova geração de colaboradores. “Uma pequena parcela dessas empresas é do setor de tecnologia e de startups, que são, em boa parte, já dirigidas pelos membros millennials ou da geração X e, portanto, nasceram prontas para atender às expectativas desses jovens profissionais”, diz.

Por outro lado, as multinacionais já trazem de fora políticas internas mais alinhadas a essas novas demandas, dando o exemplo para outras organizações que querem se preparar para o desafio de recrutar e manter os talentos da geração Y. Elas oferecem programas de mentoria; avaliação e feedback objetivos; remuneração com benefícios por produtividade; horário e espaço de trabalho flexíveis; incentivo à mobilidade externa, ou seja, intercâmbio para outras unidades e outros países; valorização do trabalho voluntário; e prática da responsabilidade social de maneira concreta.

Com esse novo perfil de funcionário, o mercado de trabalho e os departamentos de RH das empresas estão se reinventando. Mas, segundo a professora, diante da atual situação econômica do País, os millennials brasileiros estão aceitando, por pura necessidade, empregos de baixa remuneração e com quase nenhuma oferta desses pontos tão valorizados por eles em uma empresa. “Mas este comportamento é temporário. Assim que tudo melhorar, o mercado de trabalho voltará a ter de lidar com as expectativas desses jovens profissionais, colocadas anteriormente”, conclui.

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